“Quando um beijo não é apenas um beijo.
Você sorri, eu sei que sorri. Você admira o olhar, o jeito que fala e até a voz desafinada quando ela está cantando, ela, você sabe, aquela pessoa. Ela conta uma piada e você cai na gargalhada, mas assuma, não teve a menor graça. Ela te chama de meu amor e você torce para que dure para sempre, ela diz que te ama e você torce para que seja verdade. E quando ela vai embora? Meu Deus! Quando ela vai embora da medo, da dor, machuca. E se ela não voltar? Será que eu fiz algo de errado? Mas não, você sabe que ela volta. Na fila do banco, na porta da padaria, no intervalo na escola ou tomando um sol na praia… Todo mundo sabe que você já tem a sua pessoa, aquela que ás vezes não é só sua e você quase morre, quase morre quando ela some, quase morre quando ela te deixa, quase morre quando não tem noticias. E o ciúme é a pior parte, é o medo de perder, o medo de não ter mais, o medo que ela encontre alguém melhor. Mas você sabe que não, você sabe que lá no fundo vocês dois se completam e que ela é a melhor coisa que poderia ter acontecido na sua vida, e sendo assim, como peças que se encaixam, ou como um cubo mágico solucionado, vocês são a melhor coisa um para o outro. E ela te irrita, ela te provoca, você surta, vocês brigam, fazem birras, mas nunca deixam de ser amar. Porque, sabe-se lá o porquê, o amor é assim mesmo. É um jogo doido onde não tem um botãozinho de escape que você aperta e tudo se resolve. O amor é aquele pega-pega de quando você era criança, só que nesse não tem pique, você não pode enrolar em um canto, não dar as caras até se sentir seguro outra vez. Pode parecer loucura, mas estar com alguém é um bicho feio, é um filme que da medo, é um suspense que não passa. E é ai que você ama, é ai que você se entrega, é ai que você tenta aproveitar o máximo todos os dias, enquanto dura. É ai, meu amigo, que um beijo não é apenas um beijo. É um laço, é uma aliança, é uma ponte que une duas cidades distantes, uma balsa que abre caminho no meio do mar para duas ilhas. É um sonho, que por mais que seja bom, por mais que te arrebate e te deixe nas nuvens, você sabe que lá no fundo, se o barulho for muito alto, ou você for muito leviano, como em um piscar de olhos tudo pode acabar.”
“Tenho andado distraído, impaciente e indeciso. E ainda estou confuso. Só que agora é diferente: estou tão tranquilo e tão contente! Quantas chances desperdicei, quando o que eu mais queria era provar pra todo o mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém. Me fiz em mil pedaços pra você juntar e queria sempre achar explicação pro que eu sentia. Como um anjo caído, fiz questão de esquecer que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira. Mas não sou mais tão criança a ponto de saber tudo. Já não me preocupo se eu não sei porquê. Às vezes o que eu vejo, quase ninguém vê. E eu sei que você sabe quase sem querer que eu vejo o mesmo que você. Tão correto e tão bonito o infinito é realmente um dos deuses mais lindos! Sei que às vezes uso palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas? Me disseram que você estava chorando, e foi então que percebi como lhe quero tanto.”
“Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga. E a gente lembra. E já não dói mais. Mas dá saudade. Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer a tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás. Então eu pego o passado, e transformo em poesia-ou-coisa-assim.”